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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Versailles, Holy Grail tour, Espaço Victory, Penha, SP, 13 de novembro de 2011

( resenha e fotos por Daniel Croce )


Eu acho bom vocês ocidentais ficarem acostumados ao que já está vindo, e ainda está por vir em lotes mais generosos, neste vindouro ano de 2012 ( será que termina mesmo? ). O que começou com a visita de artistas de médio e pequeno porte entre 2008 e 2009, tais como An Café, Charlotte, Headphones President, e culminou com a súbita vinda do Dir en Grey ao Maquinaria fest ( e em breve no fim do mês, de volta ao Brasil ), tem se tornado muito comum a visitação, e geralmente bem sucedida, dos artistas do chamado "J rock" e sim, também da vertente "J metal / visual kei - visual shock ", vindos lá da terra do sol nascente.

Não tem mal um ano e meio desde a última vez, e o quinteto de power metal sinfônico Versailles, já lançou outro álbum e já nos premia com outra vinda a São Paulo. Deste vez, em suporte ao ótimo álbum Holy Grail, um disco bem mais maduro, e ainda com as claras influências de X Japan ( mas até aí "morreu o neves", qual dessas bandas não têm um dedinho de referência a Yoshiki e cia? ), Angra ( os caras são fans confessos, reiterando que nosso produto nacional é sumariamente admirado lá fora ) e claro, acho desnecessário mencionar, qualquer coisa europeia que tenha inventado ou popularizado o rápido, melódico estilo de heavy metal, tais como Helloween, Stratovarius, Yngwie Malmsteen, etc.

Já que falei dos nossos irmãos do Angra, quem possui o mínimo de cultural metal, notaria que os duelos e, consequentemente virtuosismo guitarrístico da parte do duo Hizaki e Teru, possuem muito da escola que Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro ajudaram a desenvolver. E pensar que ainda por cima, os dois ainda tocam aquilo tudo debaixo de MUITOS quilos de roupa rococó do século XVIII.

Agora, inacreditável mesmo, é um baterista trajando o mesmo estilo, desenvolver rapidez, pegada, bumbo duplo na velocidade do papa léguas, e não parecer cansar, nem perder pegada, e muito menos velocidade. Amigo, se eu usasse aquelas roupas, na 3a música eu pedia as contas e já estaria uns 5kg mais magro. E o sujeito aguenta quase duas horas de show. Meu respeito e admiração vai para o senhor Yuki, que desce a lenha sem perdão e ainda mantém o nó da gravata apertado ao melhor estilo James Bond, sem perder a compostura e a classe. Eu já tinha visto vídeos, inclusive de outras bandas, inclusive do próprio Yoshiki do X, anos atrás ( porém comumente você o vê sem camisa, só de calça ), e ainda a notar, bandas como Malice Mizer, Moi dix Mois, contudo o primeiro impacto de ver alguém tocar assim há pouquíssimos metros de distancia, é quando se chega a conclusão "não , isso não é fake, esse sujeito toca dessa forma mesmo". Aliás, é bom mencionar que eu bem reconheci a bateria RMV, produto 100% brasileiro, e de acabamento sparkle verde e amarelo, que o moço estava usando. No fim do show, a produção agradeceu a ninguém menos que Ricardo Confessori, por ceder a batera dele, a mesma que ele usou poucas semanas no Rock in Rio 4, para a produção do Versailles.

O vocalista Kamijou, bem, ele é mais ou menos "como todos os outros". Se vocês não tiverem paciência com o tipo de entonação vocal das bandas de Visual Kei, ou dos que foram isso e se tornaram algo mais pop, é melhor esquecer, pois a impressão que passa é que todos os vocalistas de bandas "average" japonesas "cantam igual", e todos lembram bastante os vocalistas que passaram pelo citado ali acima, Malice Mizer, tais como o super astro Gackt, ou o Klaha, ou o versátil Kyo, do também mencionado Dir en Grey. Ele canta com voz de barítono, como é bastante comum vindo dos vocalistas da ilha vulcânica, só que ele arrisca uns tenores clássicos, uns alcances "mais agudos", no entanto, sem a estética "castratti" do tipico vocalista de metal ocidental, extremamente aguda, quer seja em falsete ou impostado. Aliás, este é pra mim, o grande barato do power metal japonês, a fuga ao velho lugar comum dos vocais "metaleiros" de sempre, que é o que sinceramente, anda me cansando muito, e que não por acaso, provavelmente é o que saturou o estilo e o fez entrar em declínio, depois de uma década, compreendida no fim dos anos 90 e meios dos anos 2000, de euforia e vendabilidade. Sim, o filhote do power metal melódico alemão do meio dos anos 80, hoje em dia, tem seus melhores frutos, geminando perto do adormecido monte Fuji.

E muito interessante notar a baixa faixa etária dos presentes, e na maior parte, uma euforia feminina adolescente, creio eu margeando os 12 aos 17 anos. Grandessíssima parte era composta de menores de idade. Eu realmente espero que a semente nipônica do metal não fique apenas como "fase" na vida dessa gente ( e todos sabemos que dada a inconstância hormonal, essa chance é grande ), e que na verdade, ela evolua para outros caminhos metálicos, ocidentais também.

( mais uma vez, agradecendo imensamente a Yamato corp e ao Leandro Cruz, pelo credenciamento )

fotos em: http://s1122.photobucket.com/albums/l539/toscroce/versailles%20SP/


set list

MASQUERADE
Ascendead Master
Judicial Noir
Thanatos
Destiny -The Lovers-
Love will be born again
Desert Apple
Threshold
Dry Ice Scream
Flowery
Growing
Vampire
the red carpet day

Encore:

Remember forever
Philia

Encore 2:

The Revenant Choir

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