Olá Rocker! Bem vindo ao HARD BLAST BRASIL, site informativo voltado para a cena rock e metal mundial. Nosso objetivo é promover um intercâmbio entre a cena rock/metal brasileira e o resto do mundo. O trabalho está em andameto em 3 diferentes continentes, com representantes no BRASIL, FINLÂNDIA e USA, além de colaboradores por todo o mundo. Aqui você pode conferir as postagens do que vem acontecendo na cena brasileira, além das principais notícias de nosso conteúdo internacional. Em nosso site www.hard-blast.com, você confere o conteúdo completo em inglês (com opção de tradutor automático). Muito obrigada por ler o Hard Blast. STAY ROCK!

domingo, 16 de outubro de 2011

Machine Head, Sepultura ( banda convidada Threat ), Via Funchal, 14 de outubro de 2011, SP

( Resenha e fotos por Daniel Croce )


O Nu metal. Ah, esse nosso odioso, acre e ao mesmo tempo tão próximo e geneticamente irmão, inimigo. Por que ele nasceu, não sabemos, contudo o que certamente testemunhamos foi esse nosso parente direto, consanguíneo, cuspir nas nossas cabeças, nos renegar e dizer que nem sequer amigos distantes somos, ou éramos.

Isso tudo a troco de quê? De uns minutinhos, horinhas a mais de atenção por parte da mídia? A troco de surfar na crista da onda do showbiz, numa era onde até aquele senhor leonino chamado James Hetfield dizia que "metal era uma merda" ( sim Jim, você vai dizer que não lembra, mas eu, virgo pride , sou sua nêmesis: EU LEMBRO! Odeie-me por isso. )? Ou no fundo, o irmãozinho rebelde do estilo era rebelde até demais, a ponto de dizer que nao dividiria palco com uma banda "metal demais", como a da carreira solo de Bruce Dickinson ( não é Coal Chamber? ).

Cada nova safra de bandas e estilos de heavy metal, e pôe aí muitas gerações, sempre causa impacto, choca, tem um ápice e depois estabiliza num ponto mais abaixo. Porém sempre estabiliza, se mantém, auto sustenta. E melhor, respeita suas raízes, seus antecessores. Veio esse aborto da natureza chamado new metal, NÃO respeita ninguém, cospe na cara do pai e da mãe logo no ato do nascimento, vira uma criança birrenta, chata e exigente e um adolescente marginal e causador de confusão. E anos depois, quando a moral vem abaixo, e a "ficha cai", se limita a dizer que "não era bem assim, ah vamos, eu não era tão mau assim"? Justamente na hora em que um pedido de desculpas era bem mais útil.

O Machine Head precisou passar por muitas mudanças de estilo - dentro da proposta metal - até finalmente se encontrar no que tem feito, e de muito bom, nos ultimos 3 álbuns em 6 anos. Firmou-se de fato como um grande nome, amadureceu musicalmente, refinou sua maneira de compor e estabilizou uma formação que funciona como um rolo compressor, ou um "trator" ( com trocadilho ao "bulldozer" ) novinho em folha e com todas as partes lubrificadas. E produzem um senhor barulho. Mas nem sempre foi assim. Teve uma primeira fase meio indefinida, uma mistura de Pantera com Slayer, e um vocal que não era "assim gutural", mas era agressivo, porém não cantado, meio falado. Aí, com a crescente modinha new metal, Robb Flynn, o patrão, resolveu ganhar dinheiro e beber da fonte que estava dando fama a quem ali se esbaldasse. Checa nessa traiçoeira memorabilia digital chamada internet e suas ferramentas como Google e You tube, pra vocês senhoras e senhores testemunharem se eu estou mentindo. Que tal o clip de "From this day", com este rapaz pagando de rapper, com um corte de cabelo que é modinha no família do Sonic, aquele porco espinho azul dos jogos da Sega, muitos furos na cara e reluzentes jóias neles, postura que todo aborrecente da época adorava imitar, sim o pacote completo.

Pois é, a "segunda fase" do jogo Machine Head, foi exatamente alinhada à sub cultura "novo metal", só que excetuando umas boas composições, iluminadas, o resultado final foi um tanto quanto canhestro, ilegítimo, jocoso. Venderam bem? Sim, melhor que antes, entretanto a felicidade nao durou muito, mal 2 álbuns de estudio, travestidos de metal modenoso, coisa que por sua vez coincidiu com o então declínio ( ou como falei acima, depois do ápice, a queda ) do estilo, exceto que, por sempre renegarem as origens, a família, não houve estabilização. A punição tácita foi o limbo, o esquecimento, por alguns anos. Bem feito! Serviu para mostrar que Heavy metal não é "boy band".

Baseada na amizade de longa data entre os membros do Sepultura, que aliás deram força e viram o Machine Head nascer ainda na 1a metade dos anos 90 ( enquanto nosso bastião do metal nacional já estava indo pro começo da fase de ouro entre "Beneath the Remains" e "Arise" ), foi de excelente idéia da banda intermediar e "managear" a produção em conjunta de ambos shows de ambas bandas. É aquela coisa, já que ninguém teve coragem até a presente data, os caras tiveram, e deu certíssimo.

Pra abrir a noite, o 1o ganhador do Metal Battle nacional, versão brasileira do Wacken Open Air alemão, a banda local Threat, agora contando com um vocalista frontman, portanto, virando quinteto ( pra quem estiver desatualizado desde a vitória deles em 2008 ). O som da banda mistura metalcore, thrash, crossover, hardcore, e o que pode parecer muita mistureba, dá certo, é pesado, grooveado e conciso. Mas como era um pouco cedo, por volta de 8pm, a casa não estava nem na metade da lotação. Apesar disso, decisão acertada, a banda tinha bem a ver com as headlines da noite ( ouvi falar que a abertura seria dos gaúchos do Hibria, excelente, porém, se fosse o caso, seria um tanto destoante das pratas da casa ).

Lá pra umas 9:15 pm, as pratas da casa e responsáveis por essa tour acontecer, e claro, inegáveis patronos do heavy metal nacional, e 1os a deflagrar o baluarte, a bandeira do estilo para os gringos nos terem como parte da cena, o Sepultura, subiu ao palco, e disposto a agradar aos fãs mais antigos, mais chatos e "truzões", sem deixar de apresentar músicas do seu novo e bem recebido álbum, "Kairos". O set list foi bem grande, e teve algumas e gratas surpresas do passado da banda ( além do cover de Prodigy que ficou digamos, interessante ). Eu sou da vertente que o vocalista Derrick Green poderia tocar mais guitarras - e neste ele não tocou nada - nas músicas antigas do Sepultura, até porque ele já se provou hábil para tanto. Nem de longe sou um desses chatos que vive de passado, querendo "uma volta da formação original" da banda, em troco de alguns... trocados. A banda está boa do jeito que se expõe desde 1998, exceto pela falta de guitarras bases.

Agora, o que o pessoal queria mesmo, começou por volta de 11pm. Robb Flynn, Adam Duce, Phil Demmel e Dave McClain, provaram, para nós e para eles mesmos, que esta "terceira fase" da banda é o que o Machine Head deve ser daqui em diante. Provavelmente a peça que faltava na equação para finalizar essa excelente fase, foi exatamente o guitarrista Demmel, o mais recente na banda, visto que o resto do time está junto há mais de uma década ( McClain entrou logo depois das gravações do 1o álbum, "Burn my eyes", por Chris Kontos ainda na bateria, enquanto Adam e Robb estão desde o ínicio ). Não por acaso, Robb e Phil foram parceiros de guitarra na formação mais estável do Vio-lence, finada banda de Thrash da Bay Area de São Francisco, aquela abençoada terra de onde veio Metallica, Megadeth, Slayer, Anthrax, Testament, Slayer, etc. E o ciclo no fim, se completa, e os amigos sempre voltam a tocar juntos, destilando o melhor de seus riffs, bases, solos, arranjos e composições como nunca o MH viu, nem mesmo no começo "brutal" de carreira.

A trilogia "Through the ashes of the empires", "The blackening" e "Unto the locust", exorcizou de vez, e não sobrou nem migalhas, de qualquer traço "Nu metal", "Rap metal", "modinha metal-que-não-se-assume-metal", ou algo que o valha. A banda trabalha com afinações baixas variadas ( e não apenas o antigo "sizão" de outrora ), o que é positivo, pois guitarristas de metal tendem a criar riffarias em cima dos bordões, de cordas soltas. Então, quanto mais diferentes, melhor, menos "essa música parece com a outra, que parece com aquela do disco anterior". A banda, além do Thrash metal, incorpora traços de Death metal, groove metal, metalcore, e modernidades melódicas que mantém o peso e brutalidade, tais como o estilo imposto pelos nativos de Seattle do Nevermore, o Iced Earth de Jon Schaffer, só pra citar uns mais famosos. Sim pessoas, Machine Head agora tem guitarras dobradas e harmonizadas em profusão, e pasmem, vocais melódicos em alguns momentos, e ainda mais assustador, em camadas de várias vozes, backing vocals bem colocados. Parece que realmente, Flynn perdeu o "medinho" de "SER" músico, coisa que era travada pela cultura "seja tosco, toque poucas notas e tenhas piercings e tatuagens legais" daquele "tal metal novo, que mentia dizendo não ser metal".

Queria até poder creditar esse amadurecimento ( ou seria libertação musical? ) a algum tarimbado produtor de metal moderno, como os britânicos Colin Richardson ou Andy Sneap, ou como os da cena "NWOAHM", tais como os americanos Jason Suecof ou Nick Raskulinecz, mas nem isso posso dar o braço a torcer: o produtor dessa trinca de ouro mais recente é o próprio Flynn. Então meus queridos, a culpa TODA é dele mesmo, tudo que vocês ouvem de arranjos nestes lançamentos mais recentes é toda fúria e melodia somadas do fundo da criatividade desse ser humano.

Em quase duas horas de show, o quarteto não perdoou nem "levou prisioneiros", apenas disparou vários hits, e sim, inclusive da fase "pop", que não foram mal recebidas, muitíssimo pelo contrário: há excelente canções naquela época, se você se desprende do visual e das eventuais bobagens que TODOS daquela cena defecavam pela boca. E elas, somadas às músicas dos primórdios bem como às da fase atual, não chegam nem sequer soar destoantes. E isso porque ouso em dizer que senti falta da ultra grudenta, chicletíssima "From this day" - sim, aquela que Rob e seus companheiros pagam de rappers que eu meio que malhei alguns parágrafos atrás - e da indiscutivelmente linda "Take my scars", do 2o e ainda pouco comercial disco "The more things change". De resto, foi irretocável.

Das suspeitas que o Machine Head tocaria no Rock in Rio 4, ainda bem que não se concretizaram, pois muito certamente odiaria vê-los como formiguinhas à distância longínqua, ou via telão, tendo que dividir meu espaço com outras cem mil pessoas, e boa parte talvez nem interessada naquilo. Infinitamente melhor, para uma casa de porte médio a grande, para leais 4 mil fãs, e bem de perto do tapa que saia dos amplificadores 5150 e suas guitarras ESP e Gibsons bombadas com captadores ativos. Se o Machine Head não está mais na mídia aborrecente da MTV, ao menos se estabilizou num patamar alto do Heavy Metal e retém o respeito dos fãs antigos e ainda catequiza novos...

...dos dreads, piercings, roupinhas ridículas, cortes de cabelo de porco espinho, e verborragia desnecessária, a gente ri de tudo isso, e pensa que como músicos e seres humanos, eles melhoraram, e portanto, nós também.

( agradecendo imensamente, e novamente, a Miriam Martinez do Via Funchal, mãe de todos nós jornalistas pequenos, a tia Helo Vidal igualmente, a Monika Cavalera, todas pelo credenciamento )

set list Sepultura:

Intro
Arise
Refuse/Resist
Kairos
Just One Fix (Ministry cover)
Dead Embryonic Cells
Convicted in Life
Attitude
Choke
What I Do!
Relentless
Firestarter (The Prodigy cover)
Troops of Doom
Septic Schizo / Escape to the Void
Meaningless Movements
Seethe
Policia (Titãs cover)
Territory
Inner Self

Encore:
Roots


set list Machine Head:

Imperium
Beautiful Mourning
The Blood, the Sweat, the Tears
Locust
I Am Hell (Sonata In #C)
Bulldozer
Old
Aesthetics of Hate
Darkness Within
Ten Ton Hammer
Halo
Davidian


fotos:

machine head: http://s1122.photobucket.com/albums/l539/toscroce/machine%20head%20-%20sp/

sepultura: http://s1122.photobucket.com/albums/l539/toscroce/sepultura%20-%20sp/

threat: http://s1122.photobucket.com/albums/l539/toscroce/threat%20-%20sp/

0 comments: